
Todos tão iguais e tão peculiares, difícil mesmo é agüentar a si. Sou o poeta dos clichês, das frases mal acabadas e dos versos sem significado, triste estou feliz fui, guardarei isso para mim. Levarei como nódoa, cicatriz dos tempos das estradas de árvores muito verdes, frustradas pelo chumbo. Sempre o mesmo contraste, maldito e santo, bom e mal, fonte única, caixa de Pandora envolvida pela mortalha de Penélope. Boneca de pano, manual da infelicidade, café preto, combustível para o tédio, matemática, disfarce da metafísica. Ser humano, verbo ambulante, variável, conjugável, classificável. Elemento principal dessa regência que modifica a ortografia da vida sem nenhuma concordância. Relevância, gêmea da ignorância, que cala, que sente, consente e quase sempre mente.Cultura, maquina que ilumina e cega, ou cega e ilumina. Democracia, nada. De novo o maldito, ou mal tido, contraste, delineador invisível da existência, se é que existe, e se não existe, porque? A única e verdadeira razão para divagarmos dessa forma, é que não há razão, somos formigas operárias, sempre a construir sua toca , a espera o primeiro chute ou da primeira chuva. Não há um propósito único, um motivo intrínseco, há apenas contraste, que nos afoga, que nos levanta, um trajeto circular sem linha de partida, o “ser ou não ser” de Hamlet que configura a epopéia da humanidade.
