
O homem vai pela estrada do deserto do mundo. Sem saber aonde ou porque mostra-se impávido, é preciso seguir, assim indicam as placas. A sua frente enxerga a enorme tormenta que vem sacudindo a areia e terra. Sem exitar ou sequer refletir, segue seu caminho em direção ao furacão, ele aprendeu que é a prova de tempestades. Em sua jornada, foi orientado a nada temer a não ser a si. Não há desastre que o impeça de seguir, a não ser sua própria sede insaciável, não há nada que o impeça de ver, ainda que cego. Volta e meia tenciona saber qual direção seguir, fingindo que realmente existe opção. A vida, pois, não é nada além de uma longa caminhada, com seus solilóquios, suas tempestades, suas direções rigorosamente definidas, limitada a eterna busca de um oásis que sempre é uma miragem, tão intensamente real quanto fugaz.
