Conduzindo tudo pela estrada do nada.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Nem todo protesto é verso
Mas todo verso é em si um protesto
Da caneta,
Que rasga a frenética brancura do papel
Da voz,
Que atropela o absoluto império do silêncio
Da alma,
Que se atira em um retumbar enlouquecido
Pra fora do corpo
Arte é tudo que observa,
Tudo que pensa,
Tudo que fala,
E falar é acima de tudo
Um ato Político
Por isso toda essa necessidade maluca de gritar
Por isso toda essa ansiedade por algo novo
Por isso toda essa inquietude diante da impotência do momento
O Homen nasceu para criar
sábado, 2 de julho de 2011
Constraste em poesia
E vem a tristeza,
delicada e sublime,
seria ela beleza,
se não fosse o que oprime
E como vem se vai
do peso a leveza,
essa mesma tristeza,
que espanta e que atrai
E diante dessa mesma,
ligeira alegria,
morre o canto, a alma,
a euforia
E isso encerra o ciclo,
do real contrastante,
da busca perdida do homem
por um eterno instante
Mas então como entender,
que na solidão do tédio,
na rotina sem remédio
possam ambas conviver?
delicada e sublime,
seria ela beleza,
se não fosse o que oprime
E como vem se vai
do peso a leveza,
essa mesma tristeza,
que espanta e que atrai
E diante dessa mesma,
ligeira alegria,
morre o canto, a alma,
a euforia
E isso encerra o ciclo,
do real contrastante,
da busca perdida do homem
por um eterno instante
Mas então como entender,
que na solidão do tédio,
na rotina sem remédio
possam ambas conviver?
Tudo é um Jogo
Nem tudo que é justo é certo, nem tudo que é certo é justo
Todas as coisas do mundo parecem girar em torno de um jogo, de interesses, de imagens, de palavras..
Grande parte das coisas que realizamos arquitetando as melhores consequencias acabam por tornar-se nosso acçoite, nossa algema.
"De boas intenções o inferno está cheio", assim nos diz o ditado com certa propriedade, mas então, em que devemos acreditar?
Se nem mesmo tudo de melhor que conseguimos conceber parece capaz de escapar da ignomínia, o que faremos?
É no mínimo desesperador conceber a idéia, mas no fundo somos culpados simplesmente por sermos inocentes, se por um lado pecamos por aquilo que fazemos, por outro pecamos duplamente por tudo que omitimos.
Vou além, até a educação, a própria cultura, tão frequentemente colocada no altar do mundo é não raras vezes, apenas mais um meio profano de dominação.
O grande problema é esse jogo sem controle, essas idéias que sem sabermos invadem nossa mente, nossa boca, nossa vida trazendo à tona tudo aquilo que mais tememos, repugnamos.
Conduzindo as idéias dessa forma, fica dificil agarrar-se a qualquer coisa que seja, as únicas sensações que nos vêm são a impotência, o asco, e um impulso desumano que nos leva a clamar por algo que ainda nem conseguimos conceber mas que de certo, não é somente aquilo que chamamos de liberdade.
Por fim somos levados a odiar a tudo, a nós mesmos, aos outros e a tudo criado, somos limitados a um pessimismo inerte, orgânico e infrutífero.
Ainda sim isso coloca uma outra pergunta. Como esperar frutos, se só o que se tem feito é plantar em solos inférteis?
Nesse tipo de lugar florescem as ervas- daninhas, e sómente por isso talvez elas sejam boas, não por serem más, mas por serem aquilo que nasce, por simplesmente impedirem que tudo morra em uma mesmice, por mostrarem que nem tudo está dado.
Talvez essa peste seja a única maneira no momento de fazer florescer algo, mas mesmo assim, será mesmo que os elíseos valem mais do que o inferno? Será mesmo que seus senhores não são apenas dois lados da moeda que pagam o pão e a desgraça?
É sem dúvida algo muito duro dar cabo a marcha inexorável que nos assola, é sem dúvida muito doloroso enfrentar o dia a dia da indiferença, a seleção arbitária, o alucinante ritmo com que as semanas passam. Mas se não fosse assim, nada valeria a pena.
Nada é certom nada é justo, é só um jogo.
Todas as coisas do mundo parecem girar em torno de um jogo, de interesses, de imagens, de palavras..
Grande parte das coisas que realizamos arquitetando as melhores consequencias acabam por tornar-se nosso acçoite, nossa algema.
"De boas intenções o inferno está cheio", assim nos diz o ditado com certa propriedade, mas então, em que devemos acreditar?
Se nem mesmo tudo de melhor que conseguimos conceber parece capaz de escapar da ignomínia, o que faremos?
É no mínimo desesperador conceber a idéia, mas no fundo somos culpados simplesmente por sermos inocentes, se por um lado pecamos por aquilo que fazemos, por outro pecamos duplamente por tudo que omitimos.
Vou além, até a educação, a própria cultura, tão frequentemente colocada no altar do mundo é não raras vezes, apenas mais um meio profano de dominação.
O grande problema é esse jogo sem controle, essas idéias que sem sabermos invadem nossa mente, nossa boca, nossa vida trazendo à tona tudo aquilo que mais tememos, repugnamos.
Conduzindo as idéias dessa forma, fica dificil agarrar-se a qualquer coisa que seja, as únicas sensações que nos vêm são a impotência, o asco, e um impulso desumano que nos leva a clamar por algo que ainda nem conseguimos conceber mas que de certo, não é somente aquilo que chamamos de liberdade.
Por fim somos levados a odiar a tudo, a nós mesmos, aos outros e a tudo criado, somos limitados a um pessimismo inerte, orgânico e infrutífero.
Ainda sim isso coloca uma outra pergunta. Como esperar frutos, se só o que se tem feito é plantar em solos inférteis?
Nesse tipo de lugar florescem as ervas- daninhas, e sómente por isso talvez elas sejam boas, não por serem más, mas por serem aquilo que nasce, por simplesmente impedirem que tudo morra em uma mesmice, por mostrarem que nem tudo está dado.
Talvez essa peste seja a única maneira no momento de fazer florescer algo, mas mesmo assim, será mesmo que os elíseos valem mais do que o inferno? Será mesmo que seus senhores não são apenas dois lados da moeda que pagam o pão e a desgraça?
É sem dúvida algo muito duro dar cabo a marcha inexorável que nos assola, é sem dúvida muito doloroso enfrentar o dia a dia da indiferença, a seleção arbitária, o alucinante ritmo com que as semanas passam. Mas se não fosse assim, nada valeria a pena.
Nada é certom nada é justo, é só um jogo.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Manifesto, entre virgulas e sem ponto
É hora da festa, de pintar as paredes, desenhar nos vitrais, escrever nos muros! Mas jamais esqueçamos do chão! É sempre pra lá que tornamos a face depois da ração diária de chicote! O chão é o cárcere, e é através dele que pula-se! Não é difícil, é física básica, um corpo atrai o outro até que se exerça uma força contrária
É hora da partida, de ligar os motores, de engatar as marchas porque a marcha é longa e o combustível é o tédio, porque o tédio sobra, porque o tédio não falta, porque o tédio é tudo, ou melhor, tudo é tédio. Eis em poucas palavras o desenvolvimento sustentável
É hora do carnaval, de espalhar desordem pela ordem, é hora de desarmar as guilhotinas e erguer os instrumentos, porque a nova revolução é musical, é uma orquestra de batuques caóticos que gritam em vários dialetos e num só coro
É hora do medo, de enojar o presente, de vigiar as idéias, de pensar as algemas, de sair na rua e enfrentar a mentira, porque coragem mesmo é viver na podridão tendo o mundo do outro lado da esquina, e se assim for, prefiro o medo
É hora do crime, larguem as armas, meu calibre é 22, 22 anos de idéias, sonhos, devaneios e nada de concreto a não ser o repulsivo cheiro que exala de cada poro do meu corpo e me envolve na mais profunda solidão, aquela na qual se sente falta de si
É hora da sede, de justiça, não aquela vendada, com uma balança que nunca se equilibra e uma espada caída sobre a cabeça dos párias, uma nova, menos pálida e mais emotiva, uma nova justiça que não se contente em ficar sentada a espera do veredicto e cega por opção
É hora de inovar, reinventar, recortar, colar restaurar, fazer um mash up do mundo, pra por fim contemplar a luz que nasce de mansinho e aos poucos une definitivamente a sombra ao corpo
É hora da partida, de ligar os motores, de engatar as marchas porque a marcha é longa e o combustível é o tédio, porque o tédio sobra, porque o tédio não falta, porque o tédio é tudo, ou melhor, tudo é tédio. Eis em poucas palavras o desenvolvimento sustentável
É hora do carnaval, de espalhar desordem pela ordem, é hora de desarmar as guilhotinas e erguer os instrumentos, porque a nova revolução é musical, é uma orquestra de batuques caóticos que gritam em vários dialetos e num só coro
É hora do medo, de enojar o presente, de vigiar as idéias, de pensar as algemas, de sair na rua e enfrentar a mentira, porque coragem mesmo é viver na podridão tendo o mundo do outro lado da esquina, e se assim for, prefiro o medo
É hora do crime, larguem as armas, meu calibre é 22, 22 anos de idéias, sonhos, devaneios e nada de concreto a não ser o repulsivo cheiro que exala de cada poro do meu corpo e me envolve na mais profunda solidão, aquela na qual se sente falta de si
É hora da sede, de justiça, não aquela vendada, com uma balança que nunca se equilibra e uma espada caída sobre a cabeça dos párias, uma nova, menos pálida e mais emotiva, uma nova justiça que não se contente em ficar sentada a espera do veredicto e cega por opção
É hora de inovar, reinventar, recortar, colar restaurar, fazer um mash up do mundo, pra por fim contemplar a luz que nasce de mansinho e aos poucos une definitivamente a sombra ao corpo
domingo, 12 de junho de 2011
Domingo
De versos intrínsecos não sei nada, são só devaneios murchos de uma tarde de domingo que se acaba em camadas de azul convertidas em preto.
Às metafísicas já disse adeus, o que me leva a escrever são as perguntas postas por um velho que me olha atento com o óculos a mão e cara de tédio, estampada na capa de um livro em preto e branco, cor que se não fosse tão adequada a estética do manuscrito, a seria pela alma nele retratada.
E que perguntas seriam essas? Inúmeras, todas remetendo a um único por quê. Porque deste jeito e não do outro? Porque estes sim e aqueles não? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Não importa.
Importam menos ainda as conclusões, nenhuma delas é capaz de soltar as alças do saco de batatas que carrego nas costas, e se as vezes elas parecem mais leves é apenas para depois reaparecer nas marcas de um cansaço, que se deposita como a areia de uma ampulheta, marcando o laço tênue da dinâmica com o vazio.
E o tempo no qual se passa todo este joguete, seria aquele demarcado pelos relógios, pelas ampulhetas, e seriam esses iguais? Seria aquele que eu sou capaz de perceber, ou o que você percebe? Aonde estaria o equivalente universal? No sol que nasce e se põe? No relógio ta torre de Londres? No relógio de pulso que meu pai veste desde que nasci? No intervalo entre os choques das batatas do saco em minhas costas marcadas com rigor pelos meus passos metódicos?
O que fazer quando só o que resta é o movimento? Como, criar raízes em um solo vulcânico que explode em convulsão a cada ressoar das badaladas de um sino da igreja central da capital do brasil? brasil com b minúsculo? Sim, e se possível com z no lugar do s. No fim é só mais um signo, um signo falso ainda, que Brasil é esse que não tem nada de brasileiro? Vá dizer ao pobre, ao sem terra, a sua empregada que Brasil se escreve com letra maiúscula e s no final, que Brasil é esse que é seu e não dela? Então melhor seria se fosse logo com Z, afinal mostra sua internacionalidade, seu caráter emergente, sua imposição no caráter mundial, que piada!
Conquistar o mundo sem ter se quer conquistado sequer o respeito do seu próprio povo. E se é assim que as coisas são, se percebemos o mundo através do contraste, como é possível enxergar tudo como uma via de mão única? O que você faria, se estivesse no olho de um furacão, o zumbido do vento te ensurdecesse, o movimento cíclico te deixasse confuso, e a distancia do solo te impedisse de fixar raízes no solo?
Às metafísicas já disse adeus, o que me leva a escrever são as perguntas postas por um velho que me olha atento com o óculos a mão e cara de tédio, estampada na capa de um livro em preto e branco, cor que se não fosse tão adequada a estética do manuscrito, a seria pela alma nele retratada.
E que perguntas seriam essas? Inúmeras, todas remetendo a um único por quê. Porque deste jeito e não do outro? Porque estes sim e aqueles não? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Não importa.
Importam menos ainda as conclusões, nenhuma delas é capaz de soltar as alças do saco de batatas que carrego nas costas, e se as vezes elas parecem mais leves é apenas para depois reaparecer nas marcas de um cansaço, que se deposita como a areia de uma ampulheta, marcando o laço tênue da dinâmica com o vazio.
E o tempo no qual se passa todo este joguete, seria aquele demarcado pelos relógios, pelas ampulhetas, e seriam esses iguais? Seria aquele que eu sou capaz de perceber, ou o que você percebe? Aonde estaria o equivalente universal? No sol que nasce e se põe? No relógio ta torre de Londres? No relógio de pulso que meu pai veste desde que nasci? No intervalo entre os choques das batatas do saco em minhas costas marcadas com rigor pelos meus passos metódicos?
O que fazer quando só o que resta é o movimento? Como, criar raízes em um solo vulcânico que explode em convulsão a cada ressoar das badaladas de um sino da igreja central da capital do brasil? brasil com b minúsculo? Sim, e se possível com z no lugar do s. No fim é só mais um signo, um signo falso ainda, que Brasil é esse que não tem nada de brasileiro? Vá dizer ao pobre, ao sem terra, a sua empregada que Brasil se escreve com letra maiúscula e s no final, que Brasil é esse que é seu e não dela? Então melhor seria se fosse logo com Z, afinal mostra sua internacionalidade, seu caráter emergente, sua imposição no caráter mundial, que piada!
Conquistar o mundo sem ter se quer conquistado sequer o respeito do seu próprio povo. E se é assim que as coisas são, se percebemos o mundo através do contraste, como é possível enxergar tudo como uma via de mão única? O que você faria, se estivesse no olho de um furacão, o zumbido do vento te ensurdecesse, o movimento cíclico te deixasse confuso, e a distancia do solo te impedisse de fixar raízes no solo?
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Esboço
Como pode, o luto arrastado,
o torpor intocado, o frio aumentado,
refinar-se na forma sutíl da poesia?
Como pode, a frágil borboleta,
escapar do casúlo de aço,
mergulhar em um voô ágil,
e transformar toda a ordem,
em puro descompasso?
Como pode, que a ressonancia aguda,
que os graves dissonantes,
que o curto intervalo das notas,
dispertem nas crianças,
a ira delicada, deficiente, muda?
E se tudo isso é fato, dado, inexórável,
omo alimentar essa força ígnea?
Como dar continuidade a essa brincadeira perigosa?
o torpor intocado, o frio aumentado,
refinar-se na forma sutíl da poesia?
Como pode, a frágil borboleta,
escapar do casúlo de aço,
mergulhar em um voô ágil,
e transformar toda a ordem,
em puro descompasso?
Como pode, que a ressonancia aguda,
que os graves dissonantes,
que o curto intervalo das notas,
dispertem nas crianças,
a ira delicada, deficiente, muda?
E se tudo isso é fato, dado, inexórável,
omo alimentar essa força ígnea?
Como dar continuidade a essa brincadeira perigosa?
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Imagética da Segregação
E é viva a imagética do mundo segregado
O coração do mártir, a alegria do povo
O marasmo da política e o impulso novo
A dialética do homem caído e do levantado.
E é vivo o saudoso império que a todos ignora
O comunicador hábil, o frágil discurso legitimado
O homem perdido na caverna de Platão reencontrado
A distância oceânica entre e nação que comemora e
outra que à muito chora.
E é viva a mentira da democracia
O interesse mudo, o rugido da mais-valia
O colosso gêmeo que se põem, a ira latente que se impõem
A nova mina de ouro que ao todo se junta e muito compõem
E é vivo o cinismo intelectual
O senso crítico calado por uma relação contratual
O fio de esperança do mundo, o cepticismo profundo
A ultima verdade renegada, no meio do paraíso imundo
E é viva a polêmica do ataque armado
O braço do patriota, o apoio do povo
O sarcasmo da anarquia, o pretexto novo
A reação sistêmica do dominante em cima do dominado
E é vivo o adultério sagaz nos rememora
O princípio implícito, o movimento parado
O destino dos pequenos fortemente regulado
A diferença tênue entre a palavra fraca que escora,
e a realidade triste que vigora.
O coração do mártir, a alegria do povo
O marasmo da política e o impulso novo
A dialética do homem caído e do levantado.
E é vivo o saudoso império que a todos ignora
O comunicador hábil, o frágil discurso legitimado
O homem perdido na caverna de Platão reencontrado
A distância oceânica entre e nação que comemora e
outra que à muito chora.
E é viva a mentira da democracia
O interesse mudo, o rugido da mais-valia
O colosso gêmeo que se põem, a ira latente que se impõem
A nova mina de ouro que ao todo se junta e muito compõem
E é vivo o cinismo intelectual
O senso crítico calado por uma relação contratual
O fio de esperança do mundo, o cepticismo profundo
A ultima verdade renegada, no meio do paraíso imundo
E é viva a polêmica do ataque armado
O braço do patriota, o apoio do povo
O sarcasmo da anarquia, o pretexto novo
A reação sistêmica do dominante em cima do dominado
E é vivo o adultério sagaz nos rememora
O princípio implícito, o movimento parado
O destino dos pequenos fortemente regulado
A diferença tênue entre a palavra fraca que escora,
e a realidade triste que vigora.
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