quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Involução


Frustrante, dias passados sem pensamentos, promessas desfeitas pela fraqueza. Escalar não é tão simples, exercitar-se é um suplício, a vida de certa forma assim o é, pois viver é sempre um exercicio, que modifica, fortalece, enrijece e algumas vezes,lesiona. O proseguir se tornou apenas um infinito perseguir, fé e esperança se confundem como limiares de um sonho infinitas vezes acabado, uma salvação inocente muitas vezes feita como dominação, um grilhão rígido sobre outros e sobre si, e que ao mesmo tempo paraliza e impulsiona, ferramenta e fim dessa trilha vertical tão especialmente dura, pois debaixo é a fé que nos empurra, acima, nos puxa, e no caminho apenas nos cega. Talvez a única fraqueza seja a razão, talvez a única opção seja gritar, talvez seja impossível prosseguir, mas, sem dúvida não há como voltar atrás, as decepções se condensam em ira, e aparecem disfarçadas de irracionalidade, mas se assim são, como já visto nada são além de forças, duramente repugnadas, sutilmente desviadas e contudo a todo o tempo conjuradas. Não há mais limites para essa involução que nos levará inexoravelmente até a natureza que é a derradeira forma de se situar ao cume do mundo, não mais como ideal, não mais etéreo, apenas concreto e constante. Mas,e depois? Depois nada, seremos só animais, não há com o que se preocupar...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Redenção


A impaciência reflete em mim o desgosto de existir. Meus ossos estão congelados, imobilizados, privados do movimento que um dia acreditei ter, agora entendo que todo o esforço que fiz foi inútil, pois a força que me moveu foi sempre a inércia. Todo o caminho percorrido na diferença culminou nessa mesmisse porca. Muitos dizem que estudam para compreender melhor o mundo. Pois eu quanto mais estudo, menos compreendo. Mas de momento sinto-me estranhamente bem, talvez tenham sido as divinas palavras daquele belo anjo que interrompeu seu vôo frenético de três noites para me trazer sentido, ah como me fez bem! Ah como queria agora poder abraça-lo, e roubar sua dor, arranca-lo de seu rompante e mostrar como se levita. Infelizmente sou demasiadamente tímido, o suficiente para sucumbir a minha insegurança tola. Com efeito, estou de pé, minhas ações se converteram em versos, as lágrimas de meu caminho se cristalizaram e formaram a ponte alada pela qual conduzirei minha jornada, não mais inerte pois deram-me asas, não mais enganado, pois deram-me sabedoria, e já posso, nesse instante, voltar a procura dos elísios em meio a um mundo sangrento.