É hora da festa, de pintar as paredes, desenhar nos vitrais, escrever nos muros! Mas jamais esqueçamos do chão! É sempre pra lá que tornamos a face depois da ração diária de chicote! O chão é o cárcere, e é através dele que pula-se! Não é difícil, é física básica, um corpo atrai o outro até que se exerça uma força contrária
É hora da partida, de ligar os motores, de engatar as marchas porque a marcha é longa e o combustível é o tédio, porque o tédio sobra, porque o tédio não falta, porque o tédio é tudo, ou melhor, tudo é tédio. Eis em poucas palavras o desenvolvimento sustentável
É hora do carnaval, de espalhar desordem pela ordem, é hora de desarmar as guilhotinas e erguer os instrumentos, porque a nova revolução é musical, é uma orquestra de batuques caóticos que gritam em vários dialetos e num só coro
É hora do medo, de enojar o presente, de vigiar as idéias, de pensar as algemas, de sair na rua e enfrentar a mentira, porque coragem mesmo é viver na podridão tendo o mundo do outro lado da esquina, e se assim for, prefiro o medo
É hora do crime, larguem as armas, meu calibre é 22, 22 anos de idéias, sonhos, devaneios e nada de concreto a não ser o repulsivo cheiro que exala de cada poro do meu corpo e me envolve na mais profunda solidão, aquela na qual se sente falta de si
É hora da sede, de justiça, não aquela vendada, com uma balança que nunca se equilibra e uma espada caída sobre a cabeça dos párias, uma nova, menos pálida e mais emotiva, uma nova justiça que não se contente em ficar sentada a espera do veredicto e cega por opção
É hora de inovar, reinventar, recortar, colar restaurar, fazer um mash up do mundo, pra por fim contemplar a luz que nasce de mansinho e aos poucos une definitivamente a sombra ao corpo
quarta-feira, 29 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Domingo
De versos intrínsecos não sei nada, são só devaneios murchos de uma tarde de domingo que se acaba em camadas de azul convertidas em preto.
Às metafísicas já disse adeus, o que me leva a escrever são as perguntas postas por um velho que me olha atento com o óculos a mão e cara de tédio, estampada na capa de um livro em preto e branco, cor que se não fosse tão adequada a estética do manuscrito, a seria pela alma nele retratada.
E que perguntas seriam essas? Inúmeras, todas remetendo a um único por quê. Porque deste jeito e não do outro? Porque estes sim e aqueles não? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Não importa.
Importam menos ainda as conclusões, nenhuma delas é capaz de soltar as alças do saco de batatas que carrego nas costas, e se as vezes elas parecem mais leves é apenas para depois reaparecer nas marcas de um cansaço, que se deposita como a areia de uma ampulheta, marcando o laço tênue da dinâmica com o vazio.
E o tempo no qual se passa todo este joguete, seria aquele demarcado pelos relógios, pelas ampulhetas, e seriam esses iguais? Seria aquele que eu sou capaz de perceber, ou o que você percebe? Aonde estaria o equivalente universal? No sol que nasce e se põe? No relógio ta torre de Londres? No relógio de pulso que meu pai veste desde que nasci? No intervalo entre os choques das batatas do saco em minhas costas marcadas com rigor pelos meus passos metódicos?
O que fazer quando só o que resta é o movimento? Como, criar raízes em um solo vulcânico que explode em convulsão a cada ressoar das badaladas de um sino da igreja central da capital do brasil? brasil com b minúsculo? Sim, e se possível com z no lugar do s. No fim é só mais um signo, um signo falso ainda, que Brasil é esse que não tem nada de brasileiro? Vá dizer ao pobre, ao sem terra, a sua empregada que Brasil se escreve com letra maiúscula e s no final, que Brasil é esse que é seu e não dela? Então melhor seria se fosse logo com Z, afinal mostra sua internacionalidade, seu caráter emergente, sua imposição no caráter mundial, que piada!
Conquistar o mundo sem ter se quer conquistado sequer o respeito do seu próprio povo. E se é assim que as coisas são, se percebemos o mundo através do contraste, como é possível enxergar tudo como uma via de mão única? O que você faria, se estivesse no olho de um furacão, o zumbido do vento te ensurdecesse, o movimento cíclico te deixasse confuso, e a distancia do solo te impedisse de fixar raízes no solo?
Às metafísicas já disse adeus, o que me leva a escrever são as perguntas postas por um velho que me olha atento com o óculos a mão e cara de tédio, estampada na capa de um livro em preto e branco, cor que se não fosse tão adequada a estética do manuscrito, a seria pela alma nele retratada.
E que perguntas seriam essas? Inúmeras, todas remetendo a um único por quê. Porque deste jeito e não do outro? Porque estes sim e aqueles não? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Não importa.
Importam menos ainda as conclusões, nenhuma delas é capaz de soltar as alças do saco de batatas que carrego nas costas, e se as vezes elas parecem mais leves é apenas para depois reaparecer nas marcas de um cansaço, que se deposita como a areia de uma ampulheta, marcando o laço tênue da dinâmica com o vazio.
E o tempo no qual se passa todo este joguete, seria aquele demarcado pelos relógios, pelas ampulhetas, e seriam esses iguais? Seria aquele que eu sou capaz de perceber, ou o que você percebe? Aonde estaria o equivalente universal? No sol que nasce e se põe? No relógio ta torre de Londres? No relógio de pulso que meu pai veste desde que nasci? No intervalo entre os choques das batatas do saco em minhas costas marcadas com rigor pelos meus passos metódicos?
O que fazer quando só o que resta é o movimento? Como, criar raízes em um solo vulcânico que explode em convulsão a cada ressoar das badaladas de um sino da igreja central da capital do brasil? brasil com b minúsculo? Sim, e se possível com z no lugar do s. No fim é só mais um signo, um signo falso ainda, que Brasil é esse que não tem nada de brasileiro? Vá dizer ao pobre, ao sem terra, a sua empregada que Brasil se escreve com letra maiúscula e s no final, que Brasil é esse que é seu e não dela? Então melhor seria se fosse logo com Z, afinal mostra sua internacionalidade, seu caráter emergente, sua imposição no caráter mundial, que piada!
Conquistar o mundo sem ter se quer conquistado sequer o respeito do seu próprio povo. E se é assim que as coisas são, se percebemos o mundo através do contraste, como é possível enxergar tudo como uma via de mão única? O que você faria, se estivesse no olho de um furacão, o zumbido do vento te ensurdecesse, o movimento cíclico te deixasse confuso, e a distancia do solo te impedisse de fixar raízes no solo?
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Esboço
Como pode, o luto arrastado,
o torpor intocado, o frio aumentado,
refinar-se na forma sutíl da poesia?
Como pode, a frágil borboleta,
escapar do casúlo de aço,
mergulhar em um voô ágil,
e transformar toda a ordem,
em puro descompasso?
Como pode, que a ressonancia aguda,
que os graves dissonantes,
que o curto intervalo das notas,
dispertem nas crianças,
a ira delicada, deficiente, muda?
E se tudo isso é fato, dado, inexórável,
omo alimentar essa força ígnea?
Como dar continuidade a essa brincadeira perigosa?
o torpor intocado, o frio aumentado,
refinar-se na forma sutíl da poesia?
Como pode, a frágil borboleta,
escapar do casúlo de aço,
mergulhar em um voô ágil,
e transformar toda a ordem,
em puro descompasso?
Como pode, que a ressonancia aguda,
que os graves dissonantes,
que o curto intervalo das notas,
dispertem nas crianças,
a ira delicada, deficiente, muda?
E se tudo isso é fato, dado, inexórável,
omo alimentar essa força ígnea?
Como dar continuidade a essa brincadeira perigosa?
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