terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Inércia


É curioso como nem tudo principia pelo começo, e algumas coisas depois de iniciadas, não tem volta, como uma locomotiva sem freios em movimento, que vai em aceleração continua e desgovernada a caminho de seu fim trágico e inexorável. Muitas vezes nos vemos como deuses oniscientes, como superiores a nossos semelhantes, como detentores de algo único capaz de alterar a tudo. Porém, basta um segundo de lucidez para repararmos o quanto temos estado parados, o quanto fomos expectadores, e como todos a nossa volta, por mais diferentes que fossem, se enxergavam da mesma forma que nós.
Mas ai somos obrigados a nos perguntar, se todos nós somos tão fracos, inertes, importentes e egocentricos, o que leva tudo a se modificar? Se não passamos, afinal, de uma grande massa pausada, daonde provem essa força enorme que nos empurra? Para mim não é nada claro como toda essa energia que possuimos, latente, se despende, como toda essa pausa se transforma em movimento? É de fato talvez nada saibamos, talvez sócrates esteja certo, talvez a única coisa que a ciêcia nos prove é que nada é tão exato ou tão certo, talvez tudo isso que chamamos de progresso e que tanto parece nos inflar não seja mais do que algo como o bem, ou como a religião ou então talvez um ou outro sistema politico. Todos nós precisamos mudar a todo o tempo, e o que mais nos massacra é o tédio, mas , ainda assim, caminhar parece tortuoso, difícil. Que grande besteira é o ser humano! Que grande complicação! Que capricho inútil!
De verdade, isso a que chamamos de consciência e que tanto nos vangloriamos por possuir, pra nada serve se não para ferir a nós próprios e a nossos semelhantes,e no entanto agora que esta desperta, voltar ao topor, a irracionalidade, parece pura loucura. Talvez Machado de Assis esteja certo, talvez a loucura não seja tão diferente do progresso, do bem, das palavras, da matemática, do repouso ou do movimento. A única lei que parece se aplicar a tudo é a relatividade, e no entanto é a que mais nos dói, é tudo que separa, é como se nos fizesse olhar atentamente para uma um único pedaço e a partir daí não pudessemos ver mais o todo. Ah! e como o livre arbítrio parece completar perfeitamente essa dilarecação funebre. Ah! quão falsa é essa liberdade da qual desfrutamos! Ah! quão porca é essa ração de mundo que absorvemos todos os dias. Por falar em dia, amanhã, bem cedo, começa outro, e já não podemos ficar ensaiando, talvez seja hora de começar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O tempo


Um marco novo se instaura, perco-me na espera silenciosa tentando reavivar aquilo que permanecia enterrado, um arco iris resplandesce e tudo parece girar em torno da busca pelo pote de ouro, envolta de um medo que não tem mais espaço porem continua presente.
No entanto aquilo que parece ser evidente é a certeza ingênua de que tudo dará certo, de que a trajetória agora é apenas ascendente e que tudo se estabilizará, talvez isso seja o único consolo, a única paz, a unica coisa que permita ao tempo alguma reflexão.
A unica força é a principal paixão, o cepticismo é o que me diferencia, a ingenuidade o que me mantem, parece-me impossível ser completamente céptico, e no entanto a ignorância já não me atrai tanto, tenho uma grande tarefa nas mãos e nada mais se adiará.