sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rio de Janeiro


Deixa, que toda a indiferença ecoe pelos quatro cantos,que os lençóis brancos caiam sobre as janelas,que o terror se espalhe ao som dos motores e das metralhadoras, que a solidão se entranhe nos corações das viúvas,das mães, das avós, das irmãs, que o silêncio predomine com último suspiro do menino inocente.
Permita, que as emissoras enrriqueçam com as minas de ouro da desgraça, que o estado consolide sua força perante o medo, que os criminosos riam de sua condição,que o espanto atinja a todos os lares, ainde que ninguém faça nada.
Invoca, o inferno cintilante de lamúrios entorpecidos, o cristo imóvel que a todos protege, o cartão postal da cidade maravilhosa, a brilhante figura do pai dos pobres, o penoso contraste que torna tudo palpável, realizável, financiável.
Ignora, a dura presença da ausência, o cheiro de sangue fervente no asfalto, as escolas e as casas trancadas,os sonhos massacrados, a incerteza que domina os pensamentos a cada saida, a vida jogada em dados a toda esquina.
Perturba, a consciência dos dirigentes, a paz dos comandantes, a rotina dos empresários, o equilíbrio da econômia.
Por fim cala, as mãos deste triste poeta que é todo desespero, essa alma solitária que só quer ser notada, assim como as crianças, as mães, as viuvas, e que na verdade é apenas isso, um devaneio juvenil.
Ou então liberta da impotência essa cólera por tanto contida, essa força imensurável sempre reprimida, expulsa desse ser toda a fúria que aniquila, que grita, que ensurdece, que incomoda, que silencia,que suplíca, que chora.

domingo, 21 de novembro de 2010

O muro


E cai o tijolo do muro, pilar de sustentação do colosso monumental. Todos dizem, coitado do tijolo caido, e reerguem mecânicamente toda a estrutura, apagando o trágico fim do tijolo cadente. E cai outro tijolo do muro, novamente todos se unem para ascender a enorme massa de barro e suor condensado, nada parece ter acontecido. E mais um tijolo se vai, impressionada, a ciência se esforça para encontrar o erro daquilo que já começou errado, todos cálculos matemáticos apontam para uma única verdade, aquela mesma que será sempre ignorada, não há nesse mundo insídia que números e ambição não sejam capazes de forjar. Os tijolos começam a desfalecer, lenta e sequencialmente como um sistema orgânico em pleno funcionamento, como etapa imprescindível desse processo tão peculiar que configuramos. A anarquia, que outrora andava disfarçada de ordem, e escondida nos pesadelos dos homens, aos poucos emerge. O que será do mundo sem o seu muro? Iniciam-se as previsões, falsos profetas anunciam o fim, os verdadeiros já nao perdem mais tempo, o odor da podridão se espalha, sempre estivera lá, latente, junto a toda a estrutura, agora é vento, é aroma, é ar, é nada. O que será do mundo sem seu muro? A situação parece propícia, a humanidade inícia sua oração por um Deus diariamente ignorado, cotidianamente distorcido, maliciosamente manipulado. O que será do mundo sem seu muro? E o fim parece se consumar quando o ultimo tijolo cai, quando todos os olhos se fecham, quando o derradeiro suspiro coletivo toma a forma de prece, quando todas as mascaras caem mostrando face singular da tragédia, aparece novamente a figura do titã,do criador em forma de homem, do herói que salva o planeta de um desastre por ele próprio criado. Mas, o que será do mundo sem seu muro de tijolos? Apenas um pouco mais falso, levemente mais frágil, continuamente degradável e com paredes de plástico.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Subversão

O homem é um grito, rouco e desesperado.
Não me chame de céptico, pessimista, futil.
Me chute, me agrida, me engula.
Minta para mim, apenas o suficiente para que eu desperte desse longo topor, me bata, mostre que nada aqui é como penso, como vivo, como sinto, como minto.
Chore, explicite pro mundo a louca face do desespero e aguarde calmamente para ser ignorado, não tente, não ande, prossiga.
Derrube um prédio, desenhe um sol azul marinho, pinte o mar de vermelho, seja subversivo.

Por fim se puder, perdoe-me o imperativo, é apenas uma tentativa de mostrar o tom que os discursos geralmente tem, pouco evidente, muito implicito. A melhor coisa talve seja não ouvir nada que eu disse, o mais seguro é criar, inventar, reinventar, se vire! mas se quizer ajuda, me chame.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eu não me matei


Eu não me matei
A sociedade não me deu escolha
Ou me deu a escolha que não era minha
A sociedade não soube compreender a minha intensidade
Não soube compreender minhas falhas, a minha fraqueza
Sou fraco, ridículo, ínfimo, um cético incurável, medíocre, miserável
Eu não me matei
A vida me matou, tomou um rumo e me deixou
A herança fétida da discórdia se entranhou em mim
Minha percepção sempre fora alterada
Minha sanidade nunca realmente existira
Sempre fui um osso luxado no esqueleto do mundo
Eu não me matei
Até minha angústia me faz minusculo
Todos riem de mim, de como sou pequeno
Acham que me faço de triste, acham que reclamo de barriga cheia
Eu não me matei
Minha doença é que me tornou velho
Eu não sou nada, nunca serei nada, nem posso querer ser nada
Assim dizia o poeta
E eu retrucava
Mesmo que nada fosse ainda sim seria muito
Tornava ele
Estou hoje Lúcido como se estivesse para morrer
Novamente o fraco retrucava
Nem mesmo a morte compensaria a vergonha de estar lúcido
Eu não me matei
E por fim os dois concordavam
Meu coração é um balde despejado
E o universo se reconstruiu sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Abalo



Seis da manhã. Vagando por uma rua qualquer, tateando em busca do momento em que me perdi, aquele mesmo aonde a caminhada inerte foi atingida subitamente, por um tremor que levou a revolução de toda uma dinâmica. Um terremoto conjurado por forças obscuras que parecia brotar como a última centelha de fé. As lágrimas cristalizadas já não manchavam o concreto, as grandes construções tinham se convertido em pó e única indicação parecia ser o verde do semáforo que já nao significava mais esperança, e sim continuidade, tudo que antes fora movimento agora era silêncio e eu caminhava obscuro e alienado, minha felicidade era o caos. A grande fissura do mundo se tornara a sutíl lembrança de um sorriso monótono, o bambear das pernas evanescera, tudo é sólido e comum, parte perfeita de um quebra cabeça incompleto, tudo passa como a vista da janela de um trem e nos perdemos em uma fantasia infantil,tudo fruto de uma mentira contada e recontada diariamente para si, resultado de uma fraqueza arrastada a muito. O leviatã se fora, perdido, me tornei novamente o herdeiro do tédio, o homem que caminha triste e fraco, sem movimento, sem forças, sem vida, sem chão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Alucinação


Falei muito, disse pouco, distorci tudo em uma alucinação, converti toda minha indignação em um ponto, e o reduzi a uma alegria breve, uma fraqueza imperdoável palavras fúteis, de uma grandeza falsa, de uma ostentação imprudente. Maldita vida, que me fez como sou, me subverteu, me fortaleceu, maldita pessoa, cheia de defeitos e qualidades, forte e descontente.Agora me sinto em outro mundo, não que algum dia tenha pertencido a este que chamam de terra, mas que por muito tempo persisti em tentar manter as aparências. Não sou humano, nem divino, nem igual nem diferente, apenas uma luz que pisca sem sentido, um farol que guia o nada, uma pequena alegria despedaçada, uma água borbulhante, com seu calor sua energia sua liquidez, sua permanência e sua ausência, sua existência fugaz. Não nasci pra viver cem anos e nem vinte, nasci pra viver o quanto tiver a dizer, e quando não tiver nada, a procurar. Sou covarde de certa forma, valente de outra, não importa, são só valores falsos que pensamos acreditar que valem algo, talvez por serem valores, talvez por serem a única coisa que realmente temos. Não há sentido para a vida e nem para a morte, só há dinâmica e contraste, sendo esse segundo parte integrante, importante do primeiro. Não existe contraste sem dinâmica, e por outro lado sem dinâmica, contraste não tem sentido.Isso é o que nos move, e até parar é se mover. Não importa o quanto somos diferentes, no fim somos iguais, fracos e fortes, pueris e imortais, tristes e felizes, sempre um paradoxo, uma idéia contrária uma eterna insatisfação que se torna ao mesmo tempo rancor e vida. Por que é preciso estar fora para enxergar? Por que é preciso estar dentro para viver? Por que quanto mais enxergamos mais percebemos que somos cegos? Por que quanto maior a reflexão maior a impotência? Não vou escrever coisas boas, alegres, seriam falsas, talvez eu seja um pessimista incurável, mas não aprendi sozinho, minhas experiências delinearam isto que chamam de personalidade. De certa forma sou feliz na medida que posso, até a tristeza traz um pouco de felicidade, ainda que curta e diversa. Não tenho mais muito a dizer, não estou são, quer dizer, nunca fui são, mas agora me entrego a minha insensatez como se fosse a única forma de permanecer. Os melhores poetas de ontem já se foram, não ouso me classificar dessa forma, sou apenas alguém cheio de idéias, ideologias reprimidas. A falta de talento faz de mim um nada, um nada que precisa escrever, sem objetivo, mesmo que ninguém leia, mesmo que ninguém ligue, mesmo que tudo isso se perca nesse momento. Passaria a madrugada inteira escrevendo, precisaria encontrar um meio de parar de ensaiar e realmente falar, mas meu verbo é mudo, precisaria de criatividade para criar uma história, personagens, contexto, local, enfim, arte. De momento sou somente uma luz que acende e apaga sem interrupção. Logo o sol irá nascer, um novo dia nascerá, diferente de ontem, e ao mesmo tempo idêntico, sua essência, não sua estrutura, começa com em um amanhecer tímido, que cresce aos poucos e no final se configura num poente indescritível. No entanto essa luz que resplandece, encarada muitas vezes como o reflexo da esperança em uma história ainda não existente, nada mais é do que a ânsia imprudente pelo amanhã, vontade inenarrável, infinita e necessária, isso é o que sou, nada, tudo uma brisa, uma vida, um ideal infinitamente surreal.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Xadrez


Algumas vezes somos levados a ver a vida como um jogo, uma brincadeira de crianças crescidas, com suas estratégias e melindres, suas vitórias e suas derrotas.
É engraçado pensar em como nos parecemos com peças do jogo de xadrez. Na linha de frente temos os peões, que apesar de serem sempre maioria e sempre quem realmente luta, no final são pouco valorizados. Logo atrás, nas pontas, temos as torres, que se acham livres, superiores, atropelam a tudo e a todos, e no fundo não passam de peões crecidos limitados a uma trajetória linear. Logo ao lado temos cavalos e bispos, estes sempre invadindo tudo sem serem convidados, em seu caminho diagonal, inoportuno, e aqueles caminhando sempre em "L" indo a todos os lugares e a nenhum. Por fim encontramos os reis e as rainhas, que se consideram superiores a todos os outros, que aparentam ter em suas mãos o poder de acabar com todo o jogo, de se mover na direção que bem entendem, mas que no fundo são tão plásticos e inertes quanto todos os outros, alvos de uma mesma estrutura que movimenta tudo. Dois lados disputando território de domínio, herdeiros da condição material de sua existência impotente, fadados a uma briga estúpida e hipócrita,aguardando a jogada definidora da grande contenda, enganados pelo ideal de uma liberdade falaciosa e crentes de uma vitória absolutamente utópica.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Involução


Frustrante, dias passados sem pensamentos, promessas desfeitas pela fraqueza. Escalar não é tão simples, exercitar-se é um suplício, a vida de certa forma assim o é, pois viver é sempre um exercicio, que modifica, fortalece, enrijece e algumas vezes,lesiona. O proseguir se tornou apenas um infinito perseguir, fé e esperança se confundem como limiares de um sonho infinitas vezes acabado, uma salvação inocente muitas vezes feita como dominação, um grilhão rígido sobre outros e sobre si, e que ao mesmo tempo paraliza e impulsiona, ferramenta e fim dessa trilha vertical tão especialmente dura, pois debaixo é a fé que nos empurra, acima, nos puxa, e no caminho apenas nos cega. Talvez a única fraqueza seja a razão, talvez a única opção seja gritar, talvez seja impossível prosseguir, mas, sem dúvida não há como voltar atrás, as decepções se condensam em ira, e aparecem disfarçadas de irracionalidade, mas se assim são, como já visto nada são além de forças, duramente repugnadas, sutilmente desviadas e contudo a todo o tempo conjuradas. Não há mais limites para essa involução que nos levará inexoravelmente até a natureza que é a derradeira forma de se situar ao cume do mundo, não mais como ideal, não mais etéreo, apenas concreto e constante. Mas,e depois? Depois nada, seremos só animais, não há com o que se preocupar...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Redenção


A impaciência reflete em mim o desgosto de existir. Meus ossos estão congelados, imobilizados, privados do movimento que um dia acreditei ter, agora entendo que todo o esforço que fiz foi inútil, pois a força que me moveu foi sempre a inércia. Todo o caminho percorrido na diferença culminou nessa mesmisse porca. Muitos dizem que estudam para compreender melhor o mundo. Pois eu quanto mais estudo, menos compreendo. Mas de momento sinto-me estranhamente bem, talvez tenham sido as divinas palavras daquele belo anjo que interrompeu seu vôo frenético de três noites para me trazer sentido, ah como me fez bem! Ah como queria agora poder abraça-lo, e roubar sua dor, arranca-lo de seu rompante e mostrar como se levita. Infelizmente sou demasiadamente tímido, o suficiente para sucumbir a minha insegurança tola. Com efeito, estou de pé, minhas ações se converteram em versos, as lágrimas de meu caminho se cristalizaram e formaram a ponte alada pela qual conduzirei minha jornada, não mais inerte pois deram-me asas, não mais enganado, pois deram-me sabedoria, e já posso, nesse instante, voltar a procura dos elísios em meio a um mundo sangrento.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Contraste


Todos tão iguais e tão peculiares, difícil mesmo é agüentar a si. Sou o poeta dos clichês, das frases mal acabadas e dos versos sem significado, triste estou feliz fui, guardarei isso para mim. Levarei como nódoa, cicatriz dos tempos das estradas de árvores muito verdes, frustradas pelo chumbo. Sempre o mesmo contraste, maldito e santo, bom e mal, fonte única, caixa de Pandora envolvida pela mortalha de Penélope. Boneca de pano, manual da infelicidade, café preto, combustível para o tédio, matemática, disfarce da metafísica. Ser humano, verbo ambulante, variável, conjugável, classificável. Elemento principal dessa regência que modifica a ortografia da vida sem nenhuma concordância. Relevância, gêmea da ignorância, que cala, que sente, consente e quase sempre mente.Cultura, maquina que ilumina e cega, ou cega e ilumina. Democracia, nada. De novo o maldito, ou mal tido, contraste, delineador invisível da existência, se é que existe, e se não existe, porque? A única e verdadeira razão para divagarmos dessa forma, é que não há razão, somos formigas operárias, sempre a construir sua toca , a espera o primeiro chute ou da primeira chuva. Não há um propósito único, um motivo intrínseco, há apenas contraste, que nos afoga, que nos levanta, um trajeto circular sem linha de partida, o “ser ou não ser” de Hamlet que configura a epopéia da humanidade.

domingo, 4 de julho de 2010

Dia a Dia


Falar sobre a despersonalização é banal. Que triste. A única felicidade na rotina que criamos, se resume ao momento em que finalmente poderemos sair dela por algum tempo. Vivemos os dias da semana um a um ou na realidade, todos em um. Nossa vida se divide crucialmente em dois momentos, aquele em que somos o que devemos ser e outro aonde somos o que queremos ser não necessariamente nessa ordem e de forma alguma isolada pois sempre somos um pouco daquilo que queremos e muito daquilo que devemos. É impressionante a capacidade humana de criar limitações para si , e como são totais. A repetição cotidiana que desenvolvemos nos prende ao mundo assim como a gravidade nos prende ao chão, e o mais curioso é que já conseguimos vencer a física e no entanto perdemos diariamente a briga do homem criado contra o criado pelo homem. Será que ninguém percebe aonde nos metemos? Basta olhar os rostos sem expressão, o quanto somos carentes de nós mesmos, o quanto precisamos falar. Aperfeiçoamos a máquina mais lucrativa de todos os tempos, a solidão. Todos os dias as companhias telefônicas ganham bilhões com a infelicidade , é como se implorassemos por atenção com um grito mudo. Perdemos a sensibilidade, as maiores maldades e injustiças são as mais sutis, aquelas que cometemos sem perceber, e que através disso nos justificamos. Constituimos a maior nação de tiranos ignorantes. Vadios sem destino,hipócritas,cínicos, estúpidos, assasinos, cumplices, animais, no fundo tudo a mesma coisa, tudo que é e não devia ser, tudo igual e tudo desigual, tudo que somos e tudo que sofremos, tudo que avança e tudo que regride, tudo que ensina e tudo que domina.

domingo, 27 de junho de 2010

Andarilho




O homem vai pela estrada do deserto do mundo. Sem saber aonde ou porque mostra-se impávido, é preciso seguir, assim indicam as placas. A sua frente enxerga a enorme tormenta que vem sacudindo a areia e terra. Sem exitar ou sequer refletir, segue seu caminho em direção ao furacão, ele aprendeu que é a prova de tempestades. Em sua jornada, foi orientado a nada temer a não ser a si. Não há desastre que o impeça de seguir, a não ser sua própria sede insaciável, não há nada que o impeça de ver, ainda que cego. Volta e meia tenciona saber qual direção seguir, fingindo que realmente existe opção. A vida, pois, não é nada além de uma longa caminhada, com seus solilóquios, suas tempestades, suas direções rigorosamente definidas, limitada a eterna busca de um oásis que sempre é uma miragem, tão intensamente real quanto fugaz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Saramago




Hoje o dia amanheceu com um brilho tênue, a diferença entre luz e sombras já não é tão nítida.
A densa névoa se condensa cada vez mais na ignorância , os astros se tornam mais raros, e a humanidade se esquece de o quanto um céu estrelado é importante para um dia de sol.
Os ideais se dissolvem em tons de cinza claro, a liberdade é cada vez mais teatralizada e nesta peça somos os expectadores impotentes.
Não existem mais bifurcações, as estradas foram reformadas e agora limitam-se a existir paralelamente iniciando no mesmo ponto e tendendo ao infinito.
Nossas lutas se dissolveram em sutilezas, o mecanismo que hoje limita a todos nasceu de uma luta muito particularmente nossa, nos enforcamos com nossos cordões umbilicais.
Criamos um circulo de blasés que ofusca nossa visão, e não há óculos suficientes.
Hoje mais um timbre de nossa voz se esvai, dentre últimos graves o suficiente para serem escutados e agudos o suficiente para causar incomodo.
Estamos roucos, falidos, desafinados e agora somente a banda parece nos guiar por uma infinita melodia de uma justiça injusta.
Os verbos, a partir de agora serão só crisálidas, impressas classificadas conjugadas e sem nenhum sentido.
Os dicionários já não servem de referencia, as palavras perderam quem as fizesse significar, é triste ver os pontos e as virgulas voltando a seu lugar de origem.
O maestro se foi, o tambor agora destoa em um ritmo frenético aplaudido pelos senhores da humanidade.
Entre o compasso das batidas as fronteiras somem, os muros caem as nações se unem e tudo parece convergir para a construção dessa magnífica ordem que carinhosamente apelidamos de CAOS.