Na calada da noite surge a noite, calada e inexpressiva. Da tristeza do fraco nasce a dor que azucrina, o remédio do pobre; a ignorância que refina; o pó; o álcool; a morfina.
Do espinho volátil da vida brota a raíz contínua, os céus escurecem; o solo se fende; a onda irradia; o homem se rende.
Da natureza pródiga, exaurida de energia; da estrutura elementar; da essência atômica ressoam os elos de vida e de morte.
Do profundo preto oco, do olhar sem rima; do preto que anda; da arte que brota; do nada transcrito; da essência reprimida se criam os ciclos de vida e de morte.
Do momento oportuno, do ataque soturno; da palidez do tédio; da herança do ódio; dos joguetes que mexem os braços e pernas; da cortina que se abre; do fio que movimenta; da comédia trágica ou da trágica comédia brotam os ritos de vida e de morte.
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