terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eu não me matei


Eu não me matei
A sociedade não me deu escolha
Ou me deu a escolha que não era minha
A sociedade não soube compreender a minha intensidade
Não soube compreender minhas falhas, a minha fraqueza
Sou fraco, ridículo, ínfimo, um cético incurável, medíocre, miserável
Eu não me matei
A vida me matou, tomou um rumo e me deixou
A herança fétida da discórdia se entranhou em mim
Minha percepção sempre fora alterada
Minha sanidade nunca realmente existira
Sempre fui um osso luxado no esqueleto do mundo
Eu não me matei
Até minha angústia me faz minusculo
Todos riem de mim, de como sou pequeno
Acham que me faço de triste, acham que reclamo de barriga cheia
Eu não me matei
Minha doença é que me tornou velho
Eu não sou nada, nunca serei nada, nem posso querer ser nada
Assim dizia o poeta
E eu retrucava
Mesmo que nada fosse ainda sim seria muito
Tornava ele
Estou hoje Lúcido como se estivesse para morrer
Novamente o fraco retrucava
Nem mesmo a morte compensaria a vergonha de estar lúcido
Eu não me matei
E por fim os dois concordavam
Meu coração é um balde despejado
E o universo se reconstruiu sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

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