
E cai o tijolo do muro, pilar de sustentação do colosso monumental. Todos dizem, coitado do tijolo caido, e reerguem mecânicamente toda a estrutura, apagando o trágico fim do tijolo cadente. E cai outro tijolo do muro, novamente todos se unem para ascender a enorme massa de barro e suor condensado, nada parece ter acontecido. E mais um tijolo se vai, impressionada, a ciência se esforça para encontrar o erro daquilo que já começou errado, todos cálculos matemáticos apontam para uma única verdade, aquela mesma que será sempre ignorada, não há nesse mundo insídia que números e ambição não sejam capazes de forjar. Os tijolos começam a desfalecer, lenta e sequencialmente como um sistema orgânico em pleno funcionamento, como etapa imprescindível desse processo tão peculiar que configuramos. A anarquia, que outrora andava disfarçada de ordem, e escondida nos pesadelos dos homens, aos poucos emerge. O que será do mundo sem o seu muro? Iniciam-se as previsões, falsos profetas anunciam o fim, os verdadeiros já nao perdem mais tempo, o odor da podridão se espalha, sempre estivera lá, latente, junto a toda a estrutura, agora é vento, é aroma, é ar, é nada. O que será do mundo sem seu muro? A situação parece propícia, a humanidade inícia sua oração por um Deus diariamente ignorado, cotidianamente distorcido, maliciosamente manipulado. O que será do mundo sem seu muro? E o fim parece se consumar quando o ultimo tijolo cai, quando todos os olhos se fecham, quando o derradeiro suspiro coletivo toma a forma de prece, quando todas as mascaras caem mostrando face singular da tragédia, aparece novamente a figura do titã,do criador em forma de homem, do herói que salva o planeta de um desastre por ele próprio criado. Mas, o que será do mundo sem seu muro de tijolos? Apenas um pouco mais falso, levemente mais frágil, continuamente degradável e com paredes de plástico.
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