quarta-feira, 29 de junho de 2011

Manifesto, entre virgulas e sem ponto

É hora da festa, de pintar as paredes, desenhar nos vitrais, escrever nos muros! Mas jamais esqueçamos do chão! É sempre pra lá que tornamos a face depois da ração diária de chicote! O chão é o cárcere, e é através dele que pula-se! Não é difícil, é física básica, um corpo atrai o outro até que se exerça uma força contrária

É hora da partida, de ligar os motores, de engatar as marchas porque a marcha é longa e o combustível é o tédio, porque o tédio sobra, porque o tédio não falta, porque o tédio é tudo, ou melhor, tudo é tédio. Eis em poucas palavras o desenvolvimento sustentável

É hora do carnaval, de espalhar desordem pela ordem, é hora de desarmar as guilhotinas e erguer os instrumentos, porque a nova revolução é musical, é uma orquestra de batuques caóticos que gritam em vários dialetos e num só coro

É hora do medo, de enojar o presente, de vigiar as idéias, de pensar as algemas, de sair na rua e enfrentar a mentira, porque coragem mesmo é viver na podridão tendo o mundo do outro lado da esquina, e se assim for, prefiro o medo

É hora do crime, larguem as armas, meu calibre é 22, 22 anos de idéias, sonhos, devaneios e nada de concreto a não ser o repulsivo cheiro que exala de cada poro do meu corpo e me envolve na mais profunda solidão, aquela na qual se sente falta de si

É hora da sede, de justiça, não aquela vendada, com uma balança que nunca se equilibra e uma espada caída sobre a cabeça dos párias, uma nova, menos pálida e mais emotiva, uma nova justiça que não se contente em ficar sentada a espera do veredicto e cega por opção

É hora de inovar, reinventar, recortar, colar restaurar, fazer um mash up do mundo, pra por fim contemplar a luz que nasce de mansinho e aos poucos une definitivamente a sombra ao corpo

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