De versos intrínsecos não sei nada, são só devaneios murchos de uma tarde de domingo que se acaba em camadas de azul convertidas em preto.
Às metafísicas já disse adeus, o que me leva a escrever são as perguntas postas por um velho que me olha atento com o óculos a mão e cara de tédio, estampada na capa de um livro em preto e branco, cor que se não fosse tão adequada a estética do manuscrito, a seria pela alma nele retratada.
E que perguntas seriam essas? Inúmeras, todas remetendo a um único por quê. Porque deste jeito e não do outro? Porque estes sim e aqueles não? Porque tantas perguntas e tão poucas respostas? Não importa.
Importam menos ainda as conclusões, nenhuma delas é capaz de soltar as alças do saco de batatas que carrego nas costas, e se as vezes elas parecem mais leves é apenas para depois reaparecer nas marcas de um cansaço, que se deposita como a areia de uma ampulheta, marcando o laço tênue da dinâmica com o vazio.
E o tempo no qual se passa todo este joguete, seria aquele demarcado pelos relógios, pelas ampulhetas, e seriam esses iguais? Seria aquele que eu sou capaz de perceber, ou o que você percebe? Aonde estaria o equivalente universal? No sol que nasce e se põe? No relógio ta torre de Londres? No relógio de pulso que meu pai veste desde que nasci? No intervalo entre os choques das batatas do saco em minhas costas marcadas com rigor pelos meus passos metódicos?
O que fazer quando só o que resta é o movimento? Como, criar raízes em um solo vulcânico que explode em convulsão a cada ressoar das badaladas de um sino da igreja central da capital do brasil? brasil com b minúsculo? Sim, e se possível com z no lugar do s. No fim é só mais um signo, um signo falso ainda, que Brasil é esse que não tem nada de brasileiro? Vá dizer ao pobre, ao sem terra, a sua empregada que Brasil se escreve com letra maiúscula e s no final, que Brasil é esse que é seu e não dela? Então melhor seria se fosse logo com Z, afinal mostra sua internacionalidade, seu caráter emergente, sua imposição no caráter mundial, que piada!
Conquistar o mundo sem ter se quer conquistado sequer o respeito do seu próprio povo. E se é assim que as coisas são, se percebemos o mundo através do contraste, como é possível enxergar tudo como uma via de mão única? O que você faria, se estivesse no olho de um furacão, o zumbido do vento te ensurdecesse, o movimento cíclico te deixasse confuso, e a distancia do solo te impedisse de fixar raízes no solo?
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